A ceifa
Têmpera
Enquanto um certo querer mantém,
inda vigente, seu prazo de validade;
não que indo o tempo surja desdém,
malquerença, algum desprezo, nem,
o anseio sofra, com o peso da idade;
ante a esperança demorada demais
enfraquecem os ossos, a Bíblia o diz;
tempo é limite pra todos os mortais,
nos desgasta quando vivos, ademais,
inda pesa o anseio da gente ser feliz;
visto de longe soava ditoso o futuro,
a ilusão é um louco mirante da gente;
fulgem falsas luzes caminho é escuro,
quando tardios passamos pelo muro,
perdemos e o chamamos de presente;
não que o tempo vá sumindo, espero,
que apesar de nós, preserve a ciranda;
as perdas, vendo melhor, reconsidero,
ceifa necessária, é um juiz mui severo,
têmpera cresce quando ilusão desanda…
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