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Ébrios no muro

Ébrios no muro

Passado e o devir

Insano buscar as razões pelas quais demoro,
pra dar vazão ao assédio no bem que espero;
e essas incongruências com quais me deparo,
são máscaras que temem um extrato sincero;

amor-próprio é vital, mas, ferido puxa o tapete,
quisera fosse tão frágil como um pé de abacate;
que a geada do sul quando vem e baixa o cacete,
cresta toda a superfície da relva, e àquele abate;

aí, esse vou não indo, nos deixa privados, e fora,
poesia até que entra, contudo, essa é arte, mera;
desejo atrevido abriu a mítica caixa de Pandora,
quando assustado tentou colocar a tampa, já era;

as razões presentes advêm desse duro pretérito,
felino escaldado vê as chagas, revive seu pânico;
as represas emocionais desconsideram o mérito,
viçam agruras, pelo fomento do adubo orgânico;

o presente é muro entre dois terrenos distintos,
o devir, ainda incógnito, e o passado, desencanto;
a saudade empurra, esperança puxa aos instintos,
o siso e o temor se equilibram, ébrios, entretanto…

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