Emigrante
Peleja de corpo e alma
Às vezes a alma abandona ao seu corpo,
pois, incide o peso-pesado, dessa leveza;
não porque ele seja, assim, peso, morto,
ou, apenas zumbi, um existente absorto,
só a privação árdua de paz e de certeza;
nenhuma ajuda lhe faz o menor sentido,
se, fogo anímico não for, de novo, aceso
alma adultera, envergonha o seu marido,
que ruma para seu calvário entristecido,
e Cirineu, invés de ombro, oferece peso;
e quem sabe ler esse sombrio cenáculo,
mesmo que em Baille, o escuro assento;
entende tal recado como de um oráculo,
se a nuvem sair de sobre o Tabernáculo,
Moisés deve levantar ao acampamento;
Destarte, nada vale, a sombra ou a rede,
se a seta aponta para além do horizonte;
o ser alado não detêm as meras paredes,
sacia-se, quando por lonjuras é sua sede,
daí, rompe o casulo ansiando nova fonte;
quando brisas assim fazem arder a brasa,
circunstância e anseios, meros desiguais;
aumenta a praia porque a sua maré, vaza,
e quando psique decide deixar a sua casa,
o demais paralisa, impotente para ir atrás…
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