Esperança
A praga necessária
Contra fatos se atreve vir a esperança,
criança parasita, como tantos vermes;
sem ouvir música, ela entra na dança,
a seta dos devaneios, presto se lança,
tendo asas como as botas de Hermes;
sempre que o nosso frágil fio viramos,
logo se dispõe, co’sua gratuita chaira.
das nossas penas faz asas e, voamos,
nega-se a descrer, do que abortamos,
ela se lança, no fim, a gente que paira;
uns resignam aceitam os tais, karmas,
quais, moldados pacientes do que vier;
ela nos acossando de todas as formas,
faz mais que ser uma pajem de armas,
põe lutar a um guerreiro que nem quer;
assim, sempre que o desalento estraga,
qual a Fênix renasce seu insano cogito;
estaciona em nós mesmo faltando vaga,
velha enxerida a esperança é uma praga,
que dana, mas preserva, a vida no Egito…
Compartilhe este conteúdo:
Publicar comentário