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Estrangeiro

Estrangeiro

Pátria de falácias

Eu não entendo muito, soa confuso,
deve ser por que, falo mal o idioma;
à mudança da noite pelo dia, o fuso,
viso me adaptar, mal-estar assoma;

não sou desse país, e nem sou quisto,
falando um dialeto morto, de véritas;
usando mímica pra comunicar, insisto,
não obstantes, frustrações pretéritas;

eis um lugar que inverte o trigo e joio,
tolo o que pensava conhecer farinha;
quem deveria implodir recebe apoio,
nativos desfazem à inclinação minha;

estrangeiro, nessa pátria de falácias,
onde o obsceno é moda, pudor é feio;
veneno franco e, alugadas farmácias,
in natura, nem misturam com recheio;

mesmo vendo os idos à vasta distância,
e contendo a custa a mais digna revolta;
não posso me mudar pra outra estância,
tão somente quero, o meu país de volta…

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