Farnel
O pão da alma
Às vezes deixamos afazeres à margem,
dando vazão aos anseios que emergem;
embora, não podendo ter ideia virgem,
vá saber! quiçá uns doidos inda forjem,
pois, tem hora que outras coisas urgem;
o pão do corpo adormecido na varanda,
a alma raquítica, suplicando a merenda;
coração colocando a razão na berlinda;
não careço cateter, pra quê uma sonda?
só porque quer ser primeira, a segunda;
e nem só de pão, o homem vive, é claro,
o dito de Cristo, confirmado pelo clero;
vem das musas o pão, que agora refiro,
alma também carece transpirar o poro,
com um parco farnel, então, a procuro;
comendo o bastante, até fica, “sarada”
temperando os apreços em sua vereda;
pois, faz cicatrizar até imensas feridas,
capaz de reverter, o velório em bodas,
sonegar o seu pão é trair, não sou judas;
logo que saciado, em ambos os lugares,
repouso, como quem cumpre, deveres;
a saciedade plena desses dois sentires,
corpo e alma se deleitam, nos sabores,
a digestão? outros que fazem, alhures…
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