Carregando agora
×

Lavanda

A derrocada social

Sensação que agora os poemas nascem tardos, 

embelezar o mundo, qual maquiar um defunto; 

inspiração e a mania, de nos lançar seus fardos 

aquelas florezinhas que se mesclam aos cardos, 

e que quando eles queimam, todas ardem junto; 

Sophia já não amola, o cosmos todo, virou o fio 

ferramenta ruim demanda o uso de força maior; 

a santa perdeu espaços para os que a puta pariu 

e onde choviam valores, grassa um intenso estio 

rege a batuta perversa, do global destruidor mor; 

enfim borrifar lavanda, para amenizar o ambiente 

tornar suportável a estadia onde já cheira tão mal; 

sempre fazendo o igual, quem apregoa o diferente 

quem torce para o lixo celebra, seu time na frente 

e o detergente fica prostrado, diante do sujo rival; 

triste, a arte de Homero não tem mão boa pro pife 

bardo vai na contramão, pelo seu ilusório conforto; 

que valeria doirar botões para a farda de um patife 

é insano colocar flores belas, dentro de um esquife 

pra que crisântemos morram, acariciando ao morto… 

Compartilhe este conteúdo:

Publicar comentário