Lázaro
Rebuscado do esquecimento
O amor voeja na leveza de uma pluma,
se preferires, de uma bolha de sabão;
rasga distâncias nas asas que arruma,
mas, pesa qual chumbo, quando não;
fere de morte, o seu incisivo aguilhão,
escarnece do seu morto-vivo, e inuma;
mesmo quando anda por ditosas vias,
inda vulneráveis afoito anelo da gente;
que sofreguidão por de beber alegrias!
e o amor, sádico, descansa indiferente,
como Cristo sabendo de Lázaro doente,
ainda esperou passar mais quatro dias;
pois, o amor sabe que é senhor de nós,
pode demorar, fingir ojeriza, ou lonjura;
seja silente ou, mesmo soando sua voz,
é o príncipe da nossa vida, e da doçura,
pode e vai ressuscitar-nos da amargura,
com doses de ternura que servirá, após;
eis, o Lázaro, morto a espera da licença,
para sair, da cova caso removas a rocha;
e poderá ser exemplo, essa renascença,
se soprares amor sobre a dormida tocha,
do que, ao menor desengano, já afrouxa,
mas pode aprender, a espera compensa…
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