Máscaras
A humana hipocrisia
Como criança ainda alheia às mágoas,
edificando as estruturas com seu lego;
o transparente sonho, usando anáguas,
na doente sandice que, agora, entrego,
a ilusória maciez de um colchão d‘água,
na real, o faquir em sua cama de pregos;
a luz até traveste uma essência escura,
o brilho encanta pelo seu amplo fulgor;
só nos braços do tempo a fruta madura,
a sina, nem tenta ser, um pouco, indolor,
porém, em sua desastrada acupuntura,
enfia agulhas, apenas para produzir dor;
sentido da vida errando, na contramão,
faltando polícia, para aplicar uma multa;
desregramento vira certo sentido então,
a irreverência posa, como jurisconsulta;
para toda febre dando uma ampla vazão,
sensatez se esconde, a ignomínia insulta;
siso vazando, quimera enchendo lagoas,
e os feitores da guerra falando só de paz;
co’a capa do autoengano muitas pessoas,
dizendo que o vermelho parece ser lilás,
desejam sem culpa, diversas coisas boas,
enquanto insistem em praticarem as más…
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