Melancolia Natalina
Diverso da multidão
“Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda darás testemunho, acompanhando a maioria, para perverteres a justiça;” Ex 23;2
Invés de seguir ao que as multidões estão fazendo, foi ordenado aos servos de Deus, que buscassem pelo que é justo. A Palavra não aconselha “democracia”, antes, desafia à santidade.
Então, nessas épocas em que, quase todos estão fazendo as mesmas coisas, somos convidados a pensar se as queremos fazer também.
A Maioria parece tão ocupada em desejar “Feliz Natal”, que, raramente tem tempo para levar Deus sério.
Aos “Narcisos” basta os próprios reflexos na superfície; aos maduros, é necessário encontrar a essência no profundo.
Então, a possibilidade de ver as mãos que manipulam as cordas, dos fantoches das convenções sociais, não faz ninguém melhor; apenas enseja certa melancolia onde a maioria parece estar alegre.
Essa intensidade emocional que recusa trair a si mesma, em nome da harmonia social, acaba revelando o “patinho feio” no lago onde os demais patos são belos.
A tentativa inglória de suprir os lapsos interpessoais, com coisas, presentes, numa “solidariedade” pré-datada, não seduz a quem anela coisas verazes.
A humanidade alienada de Deus e do sentido da vida, lembra o mito de Sísifo. Esse rei teria sido condenado pelos deuses a rolar eternamente, uma pedra montanha acima, para, chegando lá vê-la rolar abaixo, e ir buscá-la novamente.
Pois, cada fim de ano, “Sísifo” chega ao topo e festeja. Então, apedra rola de volta ao fundo do vale, e ele recomeça a enfadonha subida.
Ninguém nega que, a mesa farta, parentes e amigos ao redor é uma coisa boa. Porém, se a nossa fé se resume a uma efervescência sazonal, que a cada doze meses atinge seu ápice, nossas almas já estão arquivadas, engavetadas, robotizadas.
A sensação grosseira que, todo mundo é de Deus, nesses tempos, não consegue eriçar nosso pelo. Logo a fumaça se desfará, quando a vida mostrar seu normal.
O adúltero seguirá, o mentiroso, idem; o corrupto planejará novos nichos; o promíscuo continuará caçando; o profano perseverará em seus sacrilégios… enfim, cada vício seguirá atuante, com o fito de fazer infeliz a vida de outros, malgrado, os milhares de “Feliz Natal” de plástico, que foram espanados.
Me perdoem os que me leem, se não lhes empresto o meu também. As coisas sérias deveriam ser tidas como tais, e jamais, tratadas como brinquedo.
Em todos os dias do ano, laboro desejando que Cristo nasça em muitos corações. Mais que um desejo, é necessário ensinar, como.
Quiçá lendo isso, um ou dois decidam, pensar com mais profundidade sobre essas coisas antes que lhe seja tarde.
A imensa maioria, infelizmente, voltará ao vale, em busca da sua pedra.
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