No passo do gado
A alma dupla
Nesses amplos prados da vida extensa,
onde cada esperança espraia sua lona;
a alma escolhe ao quê, estar propensa,
afinal, dispondo dessa riqueza imensa,
esbanja pródiga, é descuidada a dona;
se nos íngremes montes é luta intensa,
qualquer pausa põe risco pra escalada;
e quando a subida vale, nos compensa,
dado, o rolo do relógio com sua prensa,
deixamos supérfluos refazendo estrada;
alma dupla, sofre duplo, seu problema,
Pois, o sonhador cede espaço ao prático;
Coisas fúteis que forjam novo emblema,
aí, plantar flores ou, escrever um poema,
só furtos poéticos ao homem pragmático;
não esposo essa ou aquela; certo, errado,
cada um voa, com as asas de que dispõe;
qual o melhor, sonhador ou, o atarefado?
Ignoro; apenas continuo no passo do gado,
arrostando às nuances. que o fado propõe…
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