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O antídoto

O antídoto

valor da esperança

Cada vez que, esperança encarno, 

busco refrigério para esse inferno; 

só lapso dela, que, presto discirno 

tentando pintar, o verde contorno, 

mais que arte pontual, é diuturno; 

e, até dormindo pra ela me assanho, 

de modo mágico automático, venho, 

serei um sonâmbulo, a buscar vinho, 

ou, essas andanças dentro do sonho, 

são o medo da alma ao frio de junho? 

talvez, dessa solitude, já esteja farto, 

ou, ventura acosse, chegando perto; 

contra esses sonhos, jamais, advirto 

ainda que na linha reta, escreva torto, 

belo pedaço do dia, o que mais curto; 

sei, é muito frágil, o que me ampara, 

quase pueril, é uma ridícula quimera; 

quem contempla, certamente admira, 

vendo na sobra, da Caixa de Pandora, 

o antídoto eficaz contra a desventura… 

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