O inverno
sisudo tempo
Sais correndo nas veias das flores de plástico,
adubando a clorofila cinza de tanta hipocrisia;
pra que o Zé não discirna o engodo fantástico,
que lhe é servido como o alimento de cada dia;
caciques acendendo ao falso cachimbo da paz,
que desarma os espíritos quando a droga arde;
protesta inocência, um embusteiro contumaz,
berra valentia teórica, o seu disfarce covarde;
erguem o braço esquerdo com cerrado punho,
enquanto o direito esconde um butim roubado;
agosto em curso e eles vivendo ainda em junho,
como se futuro voasse com as asas do passado;
vento vai soprar e varrer suas podres palavras,
para que as verdes, limpas, tremulem de novo;
e a árvore da decência produzirá o que faltava,
depois do inverno sempre acontece um renovo…
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