Pérola
Poeta é um doente, mui estranho,
moribundo às turras com a morte;
por isso, o seu clamor é extremo,
a vida em jogo se faz pleito forte;
expectadores escutam estrondo,
alguns veem sangrando um corte;
fazendo o seu adubo de estrume,
e da ilusão, sua bússola, seu norte;
troca impressões com confrades,
onde fica fácil acenar na empatia;
tateia em diagnósticos confusos,
e erra também, quanto à terapia;
combate o amargo com confeitos,
na verdade, apenas, lhe ludibria;
vai rendendo a andar, conforme,
deixa pistas, sangrando a poesia;
ao Eterno Poeta-Mor ele suplica,
para trocar seu dom, pelo alento;
a cada novo açoite que suplanta,
melhora, o andar contra o vento;
chora, reclama, arde, mas supera,
dramático, eterniza ao momento,
pérolas belas, de ostras cascudas
traz do fundo d’águas do talento…
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