Rendição
O amor que não veio
A vida escolhe os meios o tempo inteiro,
gastamos nossos vão ardis, entretanto;
não cogitamos, por ser deixados alheios,
mas o somos, sequer cogitamos quanto;
os vasos que nos parecem estar cheios,
só miragens no deserto do desencanto;
como ginetes inúteis alijados do rodeio,
sem rédeas, andejos errantes, portanto;
a carência, motriz dos sôfregos anseios,
acerta na promessa, mas, erra no santo;
compra as cascas presumindo recheios,
à sede malograda só a fonte do pranto;
quem está imune a esses duros enleios,
Se disser mente, digo isso sem espanto;
turma de aprendizes, carecendo recreio,
e tal mesmice dói muito, isso eu garanto;
não que advogue a passividade do alheio,
mas, que aprendamos macetes, um tanto;
aí, nem canto mais ao amor que não veio,
no caso de surgir outro, ao qual não canto…
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