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Reta final

Reta final

Travesseiro de padra

É só uma cadência fútil, marcamos o passo 

tanta avenida por diante, vigendo a espera; 

como se, tempo fosse visto pelo lado avesso 

voltando invés de andar; a se fosse, quisera; 

voltaria para aquela estação, aonde, omisso 

sôfrego enchi de ornatos, uma atual tapera 

erradicaria ao baobá antes dele ficar grosso 

paixão arde num inchaço, Chronos oblitera 

paleontólogos d’alma escavando, um soluço 

montam o arcabouço semelhante ao que era; 

nada parece com o mapa que, então, traçado 

pra uma ventura notável, mais pela ausência 

pois, a tarde negou o que o dia prometia cedo 

preferiu servir amargo, para nova experiência 

quem crê em futilidades, aprende, aborrecido 

que fé saudável requer uma pitada de ciência; 

sementes sobre pedras germinadas, ao açodo 

nascem e morrem numa mui breve sequência; 

o agricultor desamina embora seja um raçudo 

quando ceifa nega o sentido, da sua paciência; 

o siso sai por um pouco, porém retorna rápido 

sua breve noite terá desaparecido, pela manhã; 

ninguém que fechar para balanço o fará, lépido 

leva um tempo contrapor ontem, com amanhã; 

não dá para fingir saboroso, o que está insípido 

quem se atrever nisso cedo ou tarde irá ao divã; 

travesseiro de pedras, num ermo, bem inóspito 

dado o céu descido, foi pra Jacó, a maciez da lã 

tencionar retornar ao Egito, seria mui estúpido 

estando apenas, a um Jordão, de tomar Canaã… 

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