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“Sem anestesia”

“Sem anestesia”

Os agentes políticos atuais

“A educação tem raízes amargas, mas, seus frutos são doces.” (Aristóteles) 

Se desse para pularmos essa etapa amarga indo direto à doçura, na linguagem moderna seria, um “upgrade”, um salto de qualidade, desfazendo a rigidez do método antiquado. 

Todavia, verossimilhança não é verdade, e falsa informação obra a deformação. Qualquer um pode consultar “di grátis” ao Dr. Google, e sair explicando ao médico as causas do Diabetes, Labirintite, Apendicite etc. Mas, quem tem formação para cuidar do caso? 

Sócrates, o filósofo, tinha seus pleitos contra sofistas, pois, esses, no pleno domínio da retórica poderiam fingir que entendiam tudo, mais que, os veros entendidos. De saúde, mais que os médicos; da arte bélica, mais que os soldados; de escultura, mais que os artesãos; quando, deveras, entendiam apenas da arte de fingir.  

Qualquer semelhança com os políticos de hoje não é coincidência; é mesmo, o triunfo do verossímil do falacioso, sobre o verdadeiro. 

Quando se trata de “control C control V” qualquer um exercita-se em grandes coisas. Mas, peça-se mera redação no ENEM, por exemplo; a formação será jogada de volta ao fundo do vale de onde nunca saiu. A facilidade de domesticar meios, antes de domar a si mesmo, tem colocado pilotando canhões, gente que ainda não sabe usar uma funda. 

A boa formação faz “maciços;” mera informação pode fazer envernizados. Num contexto onde verniz servir seremos úteis; mas, onde a demanda for por conteúdo tendemos a “pagar mico”. 

Onde vivo havia meia dúzia de redutores eletrônicos de velocidade, que, por alguma razão foram removidos; manutenção, mudança de regras, sei lá. Sempre que me aproximo de onde ficavam, automaticamente reduzo abaixo dos 40 Km por hora que era permitido. Depois que faço isso me dou conta que, não mais estão lá as câmeras. A formação faz isso com nossas almas; “condiciona” nossos reflexos, tanto na esfera dos valores, educação, quanto, conhecimento. 

Aí, em nosso mirante atual, alguém público é acusado de um ilícito qualquer, tráfico de influência, corrupção. Em sua “defesa” uns dizem que fez muito pelo país, deve ser respeitado. Qual a leitura? Que alguém que fez isso está acima de Lei, mera investigação equivale a desrespeito. Outras “defesas” acusam oponentes de terem feito coisas semelhantes; muitas vezes, recorrendo à calúnia. Qual a lógica? Fez, mas beltrano também fazia. 

Assim, a “moral” disseminada é que, se fizer coisas boas tem crédito para as más; ou, se nivelar por baixo a falta de caráter, tudo bem. Pior que essa crise absurda de valores, é encontrar pessoas que, mesmo tendo sido vítimas das tais coisas, ainda defendem esses argumentos. 

Se, eu for acusado de estupro, disso deverei me defender; com provas, álibi, testemunho, o que tiver. Contudo, se invés disso eu sair acusando meus acusadores de serem frígidos, contra o prazer; ou, afirmar que já fiz bem a muitas mulheres, isso não vai me inocentar, tampouco, essa gororoba retórica equivale a uma defesa. 

A glamurização da ignorância, culto à esperteza em lugar do caráter, narrativas em lugar dos fatos, pode funcionar durante determinado tempo; porém, as consequências sempre surgem, testemunhas verdadeiras que, com seu dito, acabam desnudando às causas. 

Para o serviço público de quarto, quinto escalão, para baixo, se requer preparo, esmero; acessa-se mediante concurso, mérito. Daí para cima, triunfam os retóricos, mentirosos, espertos; quem for melhor em debates, discursos, vence; ocupa lugares no topo e indica segundo e terceiro escalões, baseado em identificação partidária, troca de favores fisiológicos. 

Insano sistema que exige competência para funções secundárias, e safadeza para as essenciais. Esse “centauro” invertido, onde o corpo é humano e a cabeça animal tende a caminhar aos solavancos, pois, sua anatomia o prejudica; o corpo padece a falta de coordenadas lúcidas e carrega peso desproporcional. 

Porém, por quê triunfam as “nulidades” como denunciou Ruy Barbosa? Porque o paladar da geração informação está condicionado a até arquivar algumas, seletivamente, e descartar milhares; entretanto, não está apto a identificar, discernir a essência das coisas. 

As palavras são usadas de modo oposto ao seu significado; tem muitas amebas que, invés de denunciarem ao estupro da lógica, saem em coro em defesa dos estupradores. Assim, fundem democracia e ditadura ao sabor dos gostos, não dos fatos; legalidade e golpe, pelo mesmo critério; crimes pontuais com discordâncias ideológicas etc. 

Então, esse “rico” filão, da insipiência atuante, da ignorância sem modéstia, além de fazer a fortuna dos políticos safados, faz também a dos mercenários, falsos profetas; pois, o mesmo que se faz na política, muitos fazem em igrejas. 

Porém, se a questão é de raízes como disse Aristóteles, e todos estão já frutificando, só um milagre quebraria tal paradigma; temos o país que merecemos, pois, se essa é a colheita, isso foi plantado. 

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