Um ateu no divã
“Buenos dias tchê, o que o traz aqui?
– Bem Dr. Eu preciso fazer uma análise…
– Claro, podes deitar-te ali, o divã ajuda a relaxar. O que o está afligindo?
– Sou ateu, tenho dito isso abertamente; mas, minha franqueza gera conflitos.
– Seria uma bronca gratuita?
– Não sei…
– Tu enviaste “feliz natal” para eles?
– Sim, mas, o que isso tem a ver?
– Às vezes as pessoas se sentem rejeitadas. Acreditas que as palavras transportam algo, ou são veículos vazios?
– Transportam claro, ideias, valores, informações, crenças…
– A palavra Natal evocaria o quê?
– Ah Dr. Eu não creio nisso, só faço porque todos fazem.
– Quer dizer que convenções coletivas têm mais força que valores individuais?
– Claro! a maioria supera a minoria, sempre.
– Mas, a maioria crê que Deus existe…
– Então, fico com a minoria; pode-se crer em Deus ou não, tendo bom caráter é o que conta.
– Quem disse que bom caráter é necessário?
– Está socialmente estabelecido…
– Um valor defendido pela maioria, portanto.
– É.
– Então, ora a maioria está certa, outra, está errada…
– É o que eu acho.
– Baseado em quê?
– Ah, Dr. Os ensinamentos do presumido Deus, não combinam em nada com minha natureza, é como se fosse meu adversário…
– Mas não é precisamente isso que a Bíblia diz; que todos sem Cristo são Seus inimigos, só Ele reconcilia?
– Tem tanto salafrário usando a Bíblia para ganhar dinheiro, apenas…
– Isso faria Deus, falso?
– Não esqueça que Freud era ateu, foi ele que inventou seu método de análise.
– Não sou totalmente freudiano …
– O Sr. acha que sou falso?
– Incoerente, com certeza.
– Como?
– Só um louco tentaria obscurecer o óbvio.
– O Sr. acha Deus óbvio?
– Até o diabo acha; não negou ao homem a existência de Deus, apenas, sugeriu independência, que não era preciso obedecer. Ao criar o ateísmo o homem superou-o, matou Deus, e fez deus a si mesmo.
Quando você pensa poder decidir contrário às evidências, e à maioria, você absolutiza seu umbigo, o que, em tese, poderiam fazer todos; assim estariam todos “certos” fazendo o que quisessem. Sendo o homem “a medida de todas as coisas” valores pétreos como fidelidade, verdade, justiça; perderiam sentido; na ausência de absoluto, cada qual estabeleceria as próprias leis.
– As consequências são alarmantes assim?
– Não acredite se alguém disser: “Ele é um ateu, mas é um bom homem”. Afinal, mesmo os crentes, são maus. Não somos salvos baseados em nossa bondade, mas, apesar de ruindade, por causa do amor sacrificial de Jesus.
– Sabe, Dr. No fundo eu creio, mas, como não consigo obedecer, poso de ateu, para parecer coerente aos de meu convívio.
– Você não se importa de ser incoerente consigo mesmo, desde que pareça coerente aos outros?
– É, tenho agido assim…
– Se você assumisse que é um crente fraco, talvez, eles te ajudassem… o grande apóstolo Paulo disse: “Quando estou fraco, então sou forte.” Agir assim, mascarando a fraqueza é capitular ao orgulho; os “pobres de espírito” que reconhecem suas necessidades, são fortalecidos pelo Todo-Poderoso.
Você, por certo já ouviu que o pior cego é o que não quer ver; pois, é traído por si mesmo, dorme com o inimigo, alimenta-o com autoengano e condena-se temendo à salvação.
– Caramba! vim fazer análise para me sentir melhor, e agora estou pior que antes!
– Esse é o problema da maioria; querem remover a sombra, sem tocar no obstáculo que a produz. Se alguém vai ao médico com uma dor qualquer, e analisado se diagnostica um câncer, por certo se sentirá pior que antes de saber; mas, só assim, terá chance de buscar a cura…
Alguém disse com sabedoria: “A calmaria que te faz dormir, é mais perigosa que a tempestade que te mantém acordado.”
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