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Voos da alma

Voos da alma

Devaneios distantes

Alma é um pássaro inquieto 

que pousa em vários galhos; 

não se restringe sob seu teto, 

abstratos motivos o concreto, 

que pavimenta seus atalhos; 

ora, vai lá onde foi desamada, 

outra, se atém, onde desama; 

tentando ler, a alheia estrada 

que passará, quiçá, não, cada, 

curiosidade vã é a sua chama; 

pensar arde, buscando razões, 

vias mais vastas que a pampa; 

isso, das alheias intromissões, 

se, ama, não meras incursões, 

em tais paragens, ela acampa; 

as velozes asas do pensamento, 

ganham ares, mesmo se chove; 

invadem ao privado pavimento, 

furtam, devaneios, o momento, 

pelo anseio motriz, que a move; 

arde também sua sede de saber, 

dai deriva sobre reflexões várias; 

os motivos subjacentes ao dizer, 

o quê as falas buscam esconder, 

alma conhece, almas dos párias; 

exceto algumas, que a distância, 

vira muro, que, não se extrapola, 

negam-se a admitir a sua ânsia, 

paixões cegadas, pela ignorância, 

essas, vivem presas, sisuda gaiola… 

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