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Desengano

Desengano

Chagas do passado

Ontem semeou doce pra fazer o amargo, 

rasgou utopia, bola fora, game over, fim; 

sonho viu dor, com mais jeito pro cargo, 

o estreito risco se ampliou, e ficou largo 

ruína, que era para eles se voltou a mim; 

ferem o presente nas chagas do passado, 

como filme antigo, mas, ainda em cartaz; 

lixão da história dera tudo por queimado, 

teimosia burra o muro tem um outro lado, 

como se o vício bélico tivesse medo da paz; 

desejo camuflado se fazendo transparente, 

desperta certo recurso, que dormia alheio; 

soa renovada, igual intentada, novamente, 

bichos se escaldam, a estupidez é de gente 

meio vazio se ufana dizendo-se outro meio; 

querer intento novo não significa, de novo; 

quem chamou à arena a metida preposição? 

embora Chronos fique vendo passar, o povo, 

demanda um tanto dele achar penas em ovo, 

porque apenas, remotamente, o trigo é pão; 

se o ano novo não fosse tão idoso, sem apelo 

poderia amenizar, esse desengano que pesa; 

balança no amplo varal, panos de secar gelo, 

vampiros doarão sangue, probo será modelo 

Não! tamanha reversão nenhuma lenda reza… 

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