As palavras dirigindo
Andar de carona
Faz tempo que não dou boca às palavras… digo; deixo que andem sem estreitamento, rédeas que as fazem seguir dóceis, por onde quero. Farei diverso. Solto está o freio, para que achem o rumo de casa; ou, que se percam alhures.
Podem revisitar, caso queiram, amores que falei e não fui ouvido; amores que ouvi e desamei. Se quiserem rever, até o ódio, tudo bem.
As palavras costumam ter trânsito livre, dirigir bem; exceto, quando, se distraem com o devaneio e ignoram o sinal vermelho do silêncio… as multas da precipitação sempre pesam no bolso. Não há lei que casse nosso direito de dirigir a palavra, mas sempre corremos risco de atropelar à sensatez…
Sentei-me no banco traseiro e me deixei conduzir para ver onde elas levam.
Certa hemiplegia atrofia o pragmático, nem poesia, move-se em tais casos. O sol da inspiração não brilha nas noites da alma.
Como há seres anaeróbicos que vivem sem oxigênio, há palavras que vão muito longe sem coração. Contudo, que vale peregrinar num cenário zumbi, tanta vida a pulsar na veia?
Temos o mau exemplo dos políticos que, matam as palavras e o silêncio com um tiro só. Suas lábias vazias ganham votos, dinheiro, roubam. Nem são tão vazias assim; antes, cheias de maldade.
As minhas não são vazias nem cheias, apenas estão por conta; que deixem ao bel prazer o lugar onde vivo; saíram sonhando com um mapa; ouviram falar do ócio criativo… é seu dia de folga, usem. Tanto marchar certinho na ordem unida dos propósitos usando a rígida farda da coerência; hoje é domingo, descansem, silenciem, ou, espalhem-se.
Não raro a vida nos testa e detecta lapsos na visão ao renovarmos a licença. A receita? Óculos do discernimento para dirigirmos a palavra sem atropelar a ninguém.
Ousa andar mais veloz, quem menos sabe dirigir. Tanto silêncio disponível não usado; ainda sob o selo!
A fonte dos mal-entendidos jorra, entre pedras; às vezes, ao quebrar o silêncio batemos tão forte que quebramos junto a paz…
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