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O plantio novo

O plantio novo

Se não seguirmos no velho

No ano que foi, certamente, fizemos um monte de besteiras; algumas coisas boas, talvez. Além de trabalhar.  

Não lemos no varejo, nas minúcias do dia a dia. Apreciarmos o amplo, com nossa lupa. 

Eventualmente, pairamos nas asas do ócio, para do alto melhor contemplarmos a planície da vida. Dessa visão panorâmica, retomamos as linhas verdes da esperança e seguimos bordando sonhos, devaneios, em seu alvo pano.  

Ouvimos doces declarações do silêncio, que, se fizeram amargas, nos enganaram… Aliás, quão facilmente nos enganamos com as palavras do silêncio! Quase sempre nos são favoráveis quando a realidade é adversa.  

Mas, se conseguimos nos abstrair um pouco ao egoísmo plantar uma flor no terreno duro duma alma inóspita; se, fizemos algo, ínfimo, que serviu de inspiração a alguém; se, fomos fluxos para virtude e barragem para o vício, malgrado, o fracasso dos projetos, não passamos o ano em vão.  

Explodirão fogos mil, comes e bebes, mais bebes que comes; celebrando o final de mais uma etapa.  Desconfio que a maioria não celebra nada; antes, aproveita o pretexto para tontear suas angústias, e dar asas novas, ao corcel pujante da ilusão.  

Muitos vestirão roupas novas, com cores escolhidas a propósito, imaginando os frutos fáceis da sorte, em detrimento dos justos, da semeadura. É mais fácil fazer oferendas que semeadura. As desilusões são colheitas também; de quem semeia ilusões, lógico. Planta uma e colhe dez. Desilusão.  

Amiúde, não existe ano novo. Acaso consideramos nova, cada hora que o relógio anuncia? Igualmente o ano, nada muda, exceto, o número.   

Podemos ser coautores do novo, de posse de bons exemplos, alvos certeiros, resoluções firmes.  É mais fácil empurrar com a barriga esperando um golpe da sorte. Mas, é sábio fazer um esforço, ajudar acontecer o que nos convém.   

Não usarei roupas novas, tampouco, explodirei fogos; não preciso agenda, para as melhorias que sei que necessito.  Seguir bordando esperanças é inevitável; mas, há sementes separadas da terra, e sou o mediador escolhido para a reconciliação… 

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