Revoada
Patinho feio
Assim como a coroa duma longa espera
que uma vez alcançada até se faz breve;
a ganhar chão, base, o que fora quimera
vida voltasse a pulsar, nu’a quieta tapera
o trópico encontrasse uma frieza de neve;
desejo quando chegado é árvore de vida,
quem assim figurou, foi o sábio Salomão;
esperança retarda-se, erra como perdida
quando todos outros bens estão de saída
ela também busca pela porta, só que não;
embaça lembrar, anelo de ir, puxar o carro
de quando arco íris tinha, apenas uma cor;
quem devia salivar justiça, cuspia, escarro
e o tempo em fogo brando, panela de barro
cozendo lentamente, pra acentuar o sabor;
o meio vazio, enfim, mostrou para que veio,
fogo brando também faz que a panela tisne;
assado comum ocultava o mais rico recheio
enfim, acabada a dura saga, do patinho feio
sob um céu tomado pela revoada dos cisnes…
Compartilhe este conteúdo:
Publicar comentário