Banho de lama
Triunfo da maldade
O cão pensa que orando chove ossos,
e a galinha faria o mesmo, pelo milho,
vivemos a endeusar pendores nossos,
implodimos valores e entre destroços,
cuidamos do interesse, predileto filho;
vale tão pouco, o homem que não vale,
nas circunstâncias além do seu umbigo;
mostra sua nudez triste, desde que fale,
mesmo camuflado numa folha, ou xale,
a vergonha aparece, seu desvalor, digo;
esse mar de lama, carente d’umas ilhas,
a verdade afunda, lamacentos desejam;
ainda que logre singrar por umas milhas,
será perseguida, atacada pelas matilhas,
contraditos acusam , lábios que beijam;
pobre terra, onde os ladrões são os reis
a demandar, que os súditos sejam cegos;
pisoteiam os princípios, os fatos, as leis,
a justiça é combatida, por injusta, talvez,
destarte, o martelo é batido pelos pregos;
meu país, quem foi que te furou as vistas,
pois, apalpas assim, em plena luz do dia?
Pra onde foram as propaladas conquistas,
das trombetas troantes, e propagandistas,
que tocavam núpcias quando você morria?
mas, sou teimoso, não jogo a minha toalha,
antes de contarem até dez, quiçá, levanto;
ainda verei atrás das grades, a escumalha,
o devir venturoso, que por ele ainda valha,
sofrer o triunfo da maldade, por enquanto…
Compartilhe este conteúdo:
Publicar comentário