Impotência de Deus
Anjos inconclusos
Rojões que anunciam a vinda do crack,
madrugaram comigo fazendo comício;
só medito acompanhado de um mate,
eles espocam cantado glórias do vício;
o bicho homem, dos hábitos noturnos,
paladar dos abutres e olhos de coruja;
foge da luz busca ambientes soturnos,
pois a escuridão “lava” a sua alma suja;
um novo dia se ergue, e a vida palpita,
o canto das aves, no ornato das flores;
buscam seus catres a luz diurna, irrita,
o sono protege, lhes poupa tais dores;
Deus, pesaroso olha esse inócuo pulo,
que não move um centímetro do lugar;
cegueira vedou saída, selou no casulo,
e as asas padecem pelo anseio de voar;
liberdade é força frágil está por um fio,
se for a má índole que enche a represa;
nome belo, na feiura que o diabo pariu,
para camuflagem de toda a alma presa;
supondo luminosos, aos recantos seus
se esbaldam, ainda faltando, parafusos
solidário sofro pela impotência de Deus
vendo a conclusão de anjos inconclusos…
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