Frutos da espera
ervas amargas
Nessas vezes que a vida dá tapas na cara,
escurece anelo, sonegando nossa espera;
prende até o vento, esperamos e não vira;
faz os minutos vastos, como se, uma hora,
felizes os resilientes numa sorte tão dura;
queremos acalento, só tem cajado e vara,
devaneamos complemento, numa tapera,
e até o poema é u’a pobreza que o inspira,
sonho, um devir distante, solidão é agora,
martelamos esperança, entorta, não fura;
Não há adoçante pra essa erva tão amara,
faltam chapéus sobre cabeças da quimera;
ilusão insiste em fingir dar, realidade, tira,
cansa, fantasiar dentro, quem erra lá fora,
certas ervas, só acrescem mais amargura;
mas, chega um dia em que a desdita para,
tanto gira, a Terra, que amadurece a pera;
as razões da dor enfim, crepitando na pira,
aí propósito galopa, não carece de espora,
doendo alma, como tempo ao vinho, apura…
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