Lua de sangue
Tapete mágico
Bem possível que haja um poema que erra,
entre o éter sorumbático desse crepúsculo;
sonhando com um assento módico na terra,
um vate qualquer com sua alma em guerra,
o pegue, ainda que pela força, pelo músculo;
em geral, poemas trazem a leveza de pluma,
té quando diatribes voam em tapete mágico;
mesmo as palavras pesadas, talento arruma,
com um encaixe tal, que não resta nenhuma,
que exiba, remotamente, semblante trágico;
entretanto, recolhi sem nada minha tarrafa,
a monotonia ora, prende, serena, mui calma;
logo, é só mais do mesmo, que a gente grafa,
uns, sortudos encontram o gênio na garrafa,
outros, buscam garrafas, pra tontear a alma;
a inspiração ausente é a abstinência do vate,
lutando para desintoxicar, da repetida ânsia;
força parco mosaico, contente com o empate,
doidivanas, enfrenta por hábito seu combate,
em trajes de gala, com pompa e circunstância;
fantasia que é um vasto oceano, seu mangue,
sina de um reles criador, que a dor cria e tem;
nem é herói nem vilão, nesse bangue-bangue,
a lua, inspiradora decidiu trajar-se de sangue,
o aluado sem musa se fere, e sangra também…
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