Têmpera Divina
Pressa da carência
Que importa a emulação dessa idosa inveja,
a qual trina alto buscando brinquedo alheio;
vida vem em silêncio nos serve, de bandeja,
no outro lado da moeda, que valoramos feio;
mui pouco vale o pleito sôfrego da carência,
quando o nosso eu, inda lactante, pede colo;
dona vida ignora de novo, tal impertinência,
descuida, nos deixa na lona, melhor, no solo;
quase nada conta o nosso layout romântico,
quando o sonho devaneia e rabisca ao largo,
ao acabar sua criação não sai nada idêntico,
porque a arte-final retrata um fado amargo;
logo, pouco vale, excitação da circunstância,
quando tudo parece dizer seguro: agora vai;
pressa erra o pulo, pois, em última instância,
quem determina o quando acontece, é o Pai;
importa que a nossa têmpera, enfim, vença,
todo egoísmo, e toda rota, que nos entorta;
aí, quando estamos maduros para a bênção,
ela mesmo surgirá, batendo na nossa porta…
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