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Tormenta

Arrebol

Uma massiva passeata das nuvens vetou
que o arco celeste desse, ar da sua graça;
deixa estar que, o jogo, ainda não acabou,
uma nova aurora se achega, após ela vou,
ver “in loco” que toda a tempestade passa;

uma miscelânea de azul, preto, chuva, sol,
que se forjou; o crepúsculo, miscigenado;
sequer pintou sueva leveza d’um arrebol,
prendeu o encanto com um escuro anzol,
do qual, pela manhã, já se terá libertado;

usamos chamar todo estio de tempo bom,
mas, bom, acredito, é o conjunto da obra;
pois, a chuva renova à natureza, seu tom,
mesmo trovões perturbando com o som,
é água que nos falta, essa água que sobra;

a tormenta d’um desengano que assolou,
só quem a sofre vê o dano da tempestade;
pra quem tá fora não choveu nem ventou,
e cada alma tem seus ares, dissabores ou,
os céus particulares espelhando saudade…

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