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Desesperança

Desesperança

falta de profilaxia

Quiçá, são comuns a outros nefelibatas,
essas insanidades que, agora exponho;
de esmagar seca realidade, co’as patas,
como se duras, fossem patas do sonho;

embora sejam leves, elas recrudescem,
tanto quanto, a realidade, lhes sonega;
quando razões da esperança descem,
a sua sombria enfermidade, nos pega;

decepções ferem, não basta, contudo,
para que a utopia arrefeça a sua brasa;
o dia fecha o caixa macambúzio, sisudo,
e dentro da noite, o sonho está em casa;

muitas vezes pergunto: Isso compensa?
Tipo, enxergar à noite e não ver de dia?
pode que a coisa seja, pegajosa doença,
que assomou lenta faltando a profilaxia…

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