Palavras penadas
Perdidas
As palavras de amor que avesso abortei,
pois, nascendo, cortariam o natural o fio;
revivem na memória, de onde as escutei
“baixam” em lembranças, falam do além,
sobre uma bela a vida em lugar do vazio;
sofro as penas, dessas penadas palavras,
porque não soaram como deviam, enfim;
e casulos medíocres, lhes prendem asas,
não vertem sadias, d’uma estranha lavra,
pois, deveriam vir à luz por meio de mim;
a desdita soprando remontou novo caos,
empurrou ao mesmo vale receio e anelo;
deixou sonho inerte, como dois de paus,
fez dessa minha sorte a alegria dos maus,
faltou correspondência a têmpera do elo;
talvez, reencontro uma ou duas, encaixo,
na justa medida assim como, mão e luva;
Vulcano pediu brasa pra avivar seu facho,
destino lenhador pôs meu tronco abaixo,
as raízes permanecem a espera de chuva…
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